Bastidores do Enraizando: A Copa do Mundo (parte 2)

Oi, de novo. Recapitulando rapidinho o texto anterior:

Formamos o Rizoma em fevereiro de 2014;

Ali por março tínhamos a ideia do Enraizando mais ou menos formatada;

Em abril, tentamos (sem sucesso) conseguir alguém pra ajudar a financiar o projeto (inclusive, nos aconselharam a evitar usar um verbo no nome);

Em maio, buscamos conselhos dos nossos professores, mas nenhum deles serviria no curto prazo – bem coisa de millennial, que quer tudo na hora;

Chegamos em junho de 2014 com o dinheiro acabando, praticamente sem perspectiva de novos trabalhos e, sinceramente, bem desanimados com o escritório, e contemplando desistir, ir pra casa chorar um pouco e depois procurar trabalho em algum outro lugar.

Até que chegou a tão falada Copa do Mundo do Brasil.

Ideologias políticas à parte, quer você estivesse com o pessoal do #NãoVaiTerCopa ou do #VaiTerCopaSim, acredito ser consenso que, por um breve período, (quase) todo mundo ficou encantado e maravilhado com a Copa rolando aqui no Brasil.

(Peço licença pra sair numa tangente, mas é com um propósito)

As opiniões sobre futebol aqui no Rizoma são bem variadas: o Marcelo adora, volta e meia vem trabalhar vestindo a camisa do JEC (Joinville Esporte Clube, caso você não seja daqui), é sócio do clube, assiste jogos no estádio, gosta de conversar sobre o esporte, tem time no Cartola e, às vezes, enquanto trabalha em animações, escuta transmissões de jogos no GloboEsporte.com; Eu já sou meio desligado do esporte. Assisto lances que aparecem no meu feed do Twitter ou que o Marcelo manda, mas paro por aí (nem sei direito o que acontece com meu time, pra ser sincero); O Welligton, por sua vez, odeia futebol. Simples assim.

Álbum da Panini

Dito isso, se você considerar que cada um de nós comprou um álbum de figurinhas da Copa (mesmo sem dinheiro) e que ficávamos os três ao menos ouvindo os jogos (o que trazia um problema danado, porque eram 3 computadores dividindo a conexão de internet pra ver o mesmo streaming ao vivo – e o meu, mesmo em cima do roteador, sempre perdia a briga), dá pra ver como a Copa trouxe uma euforia.

Acompanhar os jogos pelo Twitter (aliás, acompanhar qualquer evento pelo Twitter) era sensacional e tinha que ser ao vivo, senão você perdia o timing dos memes e toda a graça da brincadeira.

Gol do Van Persie no 5×1 que a Holanda fez na Espanha

A maioria das partidas estavam bonitas de se assistir (as que aconteciam na Arena Fonte Nova, em Salvador, ainda resultavam numas goleadas malucas), o pessoal parecia bem empolgado nas Fifa Fan Fests pelo país e, de modo geral, o evento corria bem (sim, eu sei que teve muita obra que não ficou pronta a tempo, boa parte dos estádios construídos pra essa ocasião estão jogados às traças hoje em dia, nós não temos hospitais “padrão Fifa”, e tudo mais. Porém, isso é assunto pra outra oportunidade e pra alguém mais capacitado que eu — e, francamente, acho que você não deve ter vindo aqui pra ler sobre isso).

Nesse cenário em que todo mundo parecia estar falando da Copa o tempo todo (afinal, eram ao menos 3 jogos por dia, todos os dias – saudades, fase de grupos), o Marcelo veio com uma ideia:

E se a gente fizesse um vídeo falando de curiosidades da Copa?

Eu ressaltei acima que estávamos numa pior porque, de fato, fora ver os jogos, não tínhamos quase nada pra fazer. Sendo assim, resolvemos produzir o tal vídeo (numa atitude meio “se é pra ser nossa última luta, vamos cair com honra”). Enquanto discutíamos como seria essa produção e o que exatamente abordaríamos, alguém (infelizmente, não lembro qual dos três) surgiu com mais uma ideia:

E se fizéssemos esse vídeo da Copa como o episódio-piloto do Enraizando?

Pronto, era o restinho de motivação que precisávamos.

Eu e o Marcelo encabeçamos esse projeto e ficamos de trazer, já no dia seguinte, uma lista de curiosidades históricas da Copa sobre as quais pudéssemos começar a construir um roteiro. Em seguida, eu ficaria encarregado de ilustrar e animar tudo, ele gravaria a locução e faria a sonorização do vídeo, e o Welligton criaria a presença digital do Enraizando.

Com um detalhe a mais: a fase de grupos do torneio, que citei acima, estava pra acabar. Com isso, nada mais de 3 jogos (de manhã, à tarde e à noite) todos os dias, as pessoas voltariam às suas vidas normais (exceto quando houvessem jogos da seleção brasileira, que automaticamente transformavam o dia em feriado — decretado oficialmente nas cidades que sediassem o jogo) e o interesse pelo tema começaria a diminuir aos poucos.

Então, além de tudo, nos percebemos em uma corrida contra o tempo pra tentar pegar esse bonde andando e aproveitar o embalo do tema pra impulsionar o vídeo.

E, como fã de 24 Horas, vou colocar um belo “continua” aqui no final do texto. No próximo, entraremos de fato no processo de produção, dando uma olhada no roteiro, storyboard e ilustração — e eu também vou tentar mostrar algumas das nossas referências, se der tempo.

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